Que todos os dias<br>sejam do Teatro
«No Dia Mundial do Teatro, devemos lembrar que queremos que o Dia do Teatro seja todos os dias; que em todos os dias nos deixem trabalhar nesta arte, nos deixem criar, transformar linhas de texto em algo enorme; que deixem vir aos teatros aqueles que todos os dias fazem de qualquer outro trabalho a sua arte» – afirma-se na mensagem que o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos divulgou no dia 27 de Março.
O STE/CGTP-IN recordou, a propósito, a mensagem que José Saramago lhe enviou, em 2003, na qual escrevia que este dia é «apenas, e ainda bem, um dia mais de teatro. Esse trabalho, essa dedicação, essa entrega do espírito e do corpo, uma arte que exige de ambos o máximo, não necessitam de mensagens. São, sim, credores do nosso amor, da nossa admiração e do nosso respeito porque criam coisas “inúteis” sem as quais não poderíamos viver, isto é, uns “nadas” que são “tudo”. Tanto.»
Hoje, como em 2003, «a mensagem que o Governo dá para os fazedores de teatro é outra, bem diferente do respeito que merecemos como trabalhadores desta arte». O STE assinala que «vivemos com o mais baixo orçamento para a cultura de sempre» e «este Governo cortou-nos o financiamento que deveria garantir o acesso à fruição e criação cultural a que a Constituição de Abril obriga, este Governo é responsável por nos encerrar os teatros, por destruir o trabalho, por nos precarizar a vida e nos negar a estabilidade laboral de que precisamos».
«É necessário, mais do que nunca, que nos unamos àqueles cujo cenário quotidiano é a rua» e «que usemos a capacidade que temos, como fazedores de teatro, como trabalhadores da cultura, de intervir e de transformar a sociedade em que vivemos», apela o STE, «para que um teatro com futuro, com trabalhadores com uma vida digna, seja possível», «porque só um país que dignifica e preserva a sua cultura terá futuro».